Resultados questionários I OftalGest

Para os Oftalmologistas, a principal razão que sustenta o vínculo ao SNS é a formação/investigação, sendo que o maior entrave no exercício da especialidade nesse contexto está relacionado com as condições de trabalho. Consideram fundamental a autonomização dos Serviços, redefinir as redes de referenciação implementando mais valências nos hospitais periféricos, e rever o modelo de financiamento defendendo um modelo baseado em valor para o doente.

Para os administradores hospitalares a Oftalmologia apresenta-se como uma das especialidades mais importantes no financiamento das suas instituições assim como no atingimento dos objetivos contratualizados, assumindo no entanto que o investimento nesta área é insuficiente. O caminho deve passar pela potenciação da capacidade de resposta do SNS, e pela autonomizando dos serviços

A par do desenvolvimento dos trabalhos, lançou-se o desafio aos médicos oftalmologistas e aos gestores, de forma independente, em proporcionarem a sua visão sobre o futuro da oftalmologia no SNS, através de um rápido questionário onde, propositadamente, cinco questões foram igualmente elencadas nos dois instrumentos, permitindo assim confrontar a visão dos “lados opostos da mesma moeda”.

Responderam ao desafio 47 médicos oftalmologistas e 27 gestores/administradores.

Destacamos de seguida os principais resultados deste exercício de reflexão coletiva, no intuito de, em primeira instância, proporcionar feedback mas, acima de tudo possibilitar uma construção entre os profissionais da área assistencial e os da gestão hospitalar, que traduza a efetividade de ganhos na saúde oftalmológica das populações.

Quando analisamos as repostas colocadas aos médicos oftalmologistas (n=47) e os questionamos sobre “o que os mantem ligados ao SNS” sobressai inequivocamente a “formação e investigação” desenvolvida (63,8%), sendo que o “sentido de missão” é também evidenciado por quase 40% da população inquirida (n=18), já a “progressão na carreira” é um fator residualmente referenciado.

No seguimento da questão anterior, foram apresentados como entraves ao exercício profissional, de forma decrescente, “as condições de trabalho”, “o modelo de gestão” e a “carência de recursos humanos”, sendo que a “competitividade do setor privado” e a “baixa remuneração”, não têm praticamente expressão nas respostas.

Contudo, nenhuma das condições anteriormente indicadas condiciona a qualidade dos cuidados de oftalmologia prestados no SNS, caraterizados como “bons” ou “excelentes” com 57,4% e 21,3%, respetivamente, apesar de ser previsto um “pior” exercício da profissão nos próximos 5 anos (76,6%) e uma inconveniente caraterização da formação dos profissionais enquanto “boa ou muito boa” (48,9%) contra uns significativos 44,7% como “satisfatória”.

Não existindo diferença significativa, quando questionados sobre o potencial da utilização da telemedicina em Oftalmologia, é largamente aceite a necessidade de redefinir as redes de referenciação “implementando mais valências nos Hospitais periféricos” (74,5%).

Na visão dos gestores (n=27), a especialidade de oftalmologia, é uma do top 3 das mais importantes no financiamento da instituição (81,5%) e a maioria indica que representa entre 20 e 40% dos objetivos atingidos, na globalidade da contratualização, o que corresponde a 66,6% dos inquiridos.

Quando questionados sobre a relevância da mesma, 66,7% apontam esta especialidade médica como fundamental na evolução do SNS, salientando a importância do investimento na capacidade de resposta do próprio SNS (88,9%) e, no mesmo alinhamento, também 66% dos médicos consideram fundamental o papel da oftalmologia na evolução do SNS (n=31).

Médicos e gestores partilham da opinião relativa à autonomização dos serviços de oftalmologia, considerando-a “fundamental” (91,3% e 85,2%, respetivamente), apesar do investimento nesta área, para os gestores, ser manifestamente insuficiente (80,8%).

Relativamente a infraestruturas e equipamentos, apesar da variação na resposta às hipóteses apresentadas, podemos referir que uma grande percentagem, dos dois grupos, divide a opinião entre “inadequadas” ou “satisfatórias”, sendo residual a avaliação de “boas”, “más” ou “adequadas”, o que valida a premissa anterior da necessidade de investimento.

Os Oftalmologistas, refletindo nas questões relativas à relação com os conselhos de administração, dividem-se ao considerá-las “boas” ou “razoáveis”, com a esmagadora maioria (83%) a referir “a produção”, como o elemento mais abordado/desenvolvido nas reuniões com os elementos decisores, sendo que consideram que o melhor modelo de financiamento deveria “basear-se em valor” (59,6%) quando comparado “por ato” (36,2%), “por doente” ou “episódio” (6,4% cada).

Para os gestores, quando inquiridos quanto ao capital humano e a sua fixação no SNS, um dos fatores apontado recai, efetivamente, nas questões do “vencimento” (37%), não traduzindo este, porém, o maior impacto. Fatores como o “projeto profissional” e as “condições de trabalho” são identificadas mais vezes, como sendo fundamentais para atrair e reter estes profissionais (44,4% e 55,6%, respetivamente).

Por fim, médicos (61,7%) e gestores (70,4%) classificam a sensibilidade e recetividade dos oftalmologistas para os temas da eficiência e sustentabilidade, como “alta”, demonstrando a responsabilidade institucional, social e ambiental desta classe profissional.

Podemos inferir que médicos e gestores, mais do que “faces opostas da mesma moeda”, comungam da mesma visão de futuro, de sustentabilidade desta especialidade e, acima de tudo, na estratégia para a saúde da visão dos  portugueses.

No próximo ano volta o II Oftalgest porque, “Somos todos solução”.

Samuel Sousa (RN)

 

Questionário 1 - Realizado a Gestores

1. Que lugar ocupa a oftalmologia na importância do financiamento da Instituição?
(27 respostas) 

No Data Found

2. Que % ocupa a oftalmologia no atingimento dos objectivos contratualizados?
(27 respostas) 

No Data Found

3. Como classifica o papel da oftalmologia na evolução do nosso sistema de saúde?
(27 respostas) 

No Data Found

4. Qual a melhor estratégia para a oftalmologia no Sistema de Saúde?
(27 respostas) 

No Data Found

5. Como encara a maior autonomização dos serviços de oftalmologia?
(27 respostas) 

No Data Found

6. Como classifica o investimento financeiro na área da oftalmologia?
(26 respostas) 

No Data Found

7. Como classifica as infraestruturas e parque de equipamentos dos vossos serviços de oftalmologia relativamente às atuais necessidades?
(26 respostas) 

No Data Found

8. Como classifica a sensibilidade e recetividade dos oftalmologistas para os temas da eficiência e sustentabilidade?
(27 respostas) 

No Data Found

9. Qual o fator mais importante para atrair/reter oftalmologistas no SNS?
(27 respostas) 

No Data Found

10. Qual o maior desafio para a oftalmologia nos próximos 5 anos?
(27 respostas) 

No Data Found

11. Qual a melhor estratégia para promover o acesso a cuidados de oftalmologia no SNS?
(27 respostas) 

No Data Found

12. Onde coloca a oftalmologia relativamente à necessidade de investimento?
(27 respostas) 

No Data Found

13. Como classifica a relação do serviço de oftalmologia e o Conselho de Administração?
(27 respostas) 

No Data Found

14. Quantas vezes reúne com o Serviço de oftalmologia?
(25 respostas) 

No Data Found

15. Qual o tema mais abordado nas reuniões desenvolvidas com o Serviço de oftalmologia?
(24 respostas) 

No Data Found